2015-03-11 20.05.19

Carro de Vimes, forrado e almofadado.

Atualmente considerado, pelo site da CNN, um dos mais fantásticos meios de transporte do Mundo, o carro de cesto atrai qualquer pessoa que o vê passar. Nascido das “corsas” é nos dias de hoje a única referência dos carros de arrasto.

No seu trajeto, provoca alteração rodoviária numa pequena secção da passagem onde o transito automóvel é obrigado a circular na faixa contrária ao habitual.

Carros de Arrasto

O carro de bois, nascido da possível inspiração do modelo do nordeste português, e também da influência da corsa madeirense adaptada ao transporte de pessoas. Foi no primeiro quartel do século XX o meio de transporte colectivo mais usado no Funchal e nas fajãs, uma vez que, nas encostas escarpadas, o seu uso se tornava impróprio.

Carros de arrasto
Carro de bois com o signo-saimão Fins do século XIX. Fotografia - Museu Vicentes

Para o transporte de cargas usam as corsas ou corsões (corsas grandes), que se compõem de dois madeiros paralelos e unidos entre si, com  1,6m a 3,0m de comprimento e meio metro de largura. Para facilitar o atrito e escorregamento dos carros e corsas um pano cheio de sebo, que lançam no chão, adiante do carro, e sobre o qual este passa, deixando ensebada a superfície de arrasto do trenó e as calçadas das ruas, apesar de uma postura municipal proibir o uso do sebo. Assim, quando uma chuva miúda humedece as calçadas, é dificílimo o caminhar por elas sem escorregar.

Transporte típico

Os novos meios de transporte (automóvel) faziam, timidamente, a sua aparição por toda a ilha, onde o comboio do Monte e carro americano eram exclusivos no Funchal.

Para as áreas de declives fortes e caminhos calcetados, fez-se uso do veículo de arrasto, actual carro de cesto, com um assento para duas pessoas construído em vime sobre duas soleiras de til ou de pinho, onde na parte frontal ficam presas as cordas ou correias delgadas destinadas a dirigi-lo.

O carro de cesto, típico do Monte, surgiu a meados do século XIX . Oos viajantes que visitaram a Madeira antes de 1846 não fazem referência a este meio de transporte mais sim a pequenas “corsas” que devido a circunstâncias de ordem do utente, podiam ser utilizadas no transporte de pessoas.

carreiros 1930
Carreiro transportando carro de cesto. Rua do Pombal.

Este meio de transporte, constitui uma adaptação da “corsa” no transporte de passageiros: “assemelha-se a um canapé curto, feito de vimes, bem forrado e almofadado, o qual está fixo a um trenó e ligado a cordas; dois homens dão-lhe um empurram e ele desce a calçada pelo seu próprio peso, num andamento que é natural, acelera a cada instante, quando os ditos homens seguram as cordas e correm atrás a grande velocidade, fazendo o possível a que o trenó se precipite. Vai como uma bala disparada; a velocidade que atinge é inconcebível (mistério como os carreiros o manobram tão depressa e tão afastados dele): nunca perdem o domínio do carro conseguem acelerar e a afrouxar à vontade, admirável também a forma como se desviam quando encontram no caminho o carro de bois, o “palanquim” ou seja lá o que for.)

in Jornal visita à Madeira e Portugal 1853-1854

Carros de arrasto
Carro de Cesto e respectivos “Carreiros”. Fins do século XIX. Fotografia Perestrellos

Havia também o carro de cesto grande que era puxado a bois (senão a pessoas) e constava de uma prancha de madeira de til ou nespereira com 10 palmos de comprimento e 2 de largura, tendo nos lados da sua superfície umas tiras de madeira, com uma abertura para a passagem de uma correia ligada à lança ou solas feita de pinheiro permitindo a atrelagem.

Os homens que assistiam os carros de arrasto trajavam calça branca, bota chã, alguns faixa a cinta de cor com baínha de rede e chapéu de palha típico da ilha.

Formou-se a “Associação dos carreiros do Monte” que pugnava pelo bom funcionamento da actividade e defesa dos interesses de classe: avisando a junta do estado do caminho para não surgir acidentes ou problemas de maior.

O serviço entre o Monte e o Funchal era realizado até às 21 horas. Naquela altura transportar uma pessoa era 400 reis, na moeda antiga, 2 Schillings, 2 Marcos, 2,5 Francos. O transporte de 2 pessoas era precisamente o dobro.

A descida em carros de cesto não era exclusiva do Monte, há referencia de também ter existido na Choupana e Caminho do Palheiro.

Carro de cestos – 1930
Os_Carreiros
comboio e carro de cestos