Nossa Senhora do Monte

Origem da Freguesia

A atual Freguesia do Monte tem origem numa antiga ermida dedicada a Nossa Senhora da Encarnação, mandada construir por volta de 1470 por Adão Gonçalves Ferreira, considerado o primeiro homem nascido na ilha da Madeira.

Com o passar do tempo, a designação evoluiu para Nossa Senhora do Monte, nome que passou da capela ao sítio e, posteriormente, a toda a freguesia. Esta designação está associada tanto às características orográficas do local como à tradição religiosa ligada à veneração da imagem da Santíssima Virgem.

A freguesia desenvolveu-se em torno da fazenda e do núcleo habitacional pertencente a Adão Gonçalves Ferreira, filho de Gonçalo Aires Ferreira, um dos companheiros de João Gonçalves Zarco na descoberta do arquipélago. À semelhança do que acontecia noutros pontos da ilha, foi a capela o centro agregador dos primeiros povoadores.

A Igreja de Nossa Senhora do Monte

A capela fundada por Adão Gonçalves Ferreira tornou-se sede paroquial aquando da criação oficial da freguesia, por alvará régio de 7 de março de 1565. As reduzidas dimensões do templo levaram, ao longo dos séculos, a várias intervenções e ampliações.

Em 1741, a antiga ermida foi totalmente demolida, iniciando-se a construção de uma nova igreja, cuja primeira pedra foi lançada a 10 de junho desse ano. A obra ficou concluída em 1747, graças a donativos dos fiéis e ao apoio do erário público.

Um ano depois, o terramoto de 1 de abril de 1748 causou danos significativos no edifício, obrigando a novas e dispendiosas reparações, que se prolongaram durante vários anos. O custo total das obras, incluindo adro, escadarias, casas anexas e ornamentos, ascendeu a uma quantia considerável para a época.

A igreja foi sagrada a 20 de dezembro de 1818 pelo bispo D. Frei Joaquim de Meneses e Ataíde. Embora não se destaque por obras artísticas de excecional valor, é reconhecida pela harmonia das suas proporções e pela importância simbólica e religiosa que assume.

Neste templo encontra-se ainda a sepultura provisória do Imperador Carlos da Áustria, falecido no Monte a 1 de abril de 1922.

A Lenda da Aparição de Nossa Senhora do Monte

Segundo uma tradição antiga, transmitida oralmente ao longo de séculos e registada em fontes manuscritas do século XVIII, a origem do culto de Nossa Senhora do Monte está ligada a uma aparição miraculosa ocorrida no Terreiro da Luta.

Conta a lenda que uma pastorinha terá encontrado uma misteriosa Menina, que lhe oferecia merenda enquanto brincavam. Após várias aparições, o pai da criança decidiu observar o local e encontrou, sobre uma pedra, uma pequena imagem da Virgem Maria. A imagem foi posteriormente colocada na ermida de Nossa Senhora da Encarnação, passando a ser venerada como Nossa Senhora do Monte.

Segundo o padre Joaquim Plácido Pereira, a pedra onde a imagem teria sido encontrada ficou soterrada no fundo do Ribeiro de Nossa Senhora aquando das obras de ampliação do Largo da Fonte, em 1896.

Fonte: Elucidário Madeirense, Vol. II

Devoção e Romarias

A devoção a Nossa Senhora do Monte é uma das mais antigas e enraizadas da Madeira. Apesar de Gaspar Frutuoso não referir um culto generalizado no final do século XVI, existem abundantes registos, desde o século XVII, de manifestações de fé e de acontecimentos atribuídos à intercessão da Virgem.

A fundação da Confraria dos Escravos de Nossa Senhora do Monte, em meados do século XVIII, marcou um ponto de viragem, contribuindo para a intensificação do culto e para a generalização das peregrinações ao santuário.

Atualmente, a romaria dos dias 14 e 15 de agosto, integrada nas Festas de Nossa Senhora do Monte, é a mais concorrida da ilha, reunindo dezenas de milhares de fiéis e visitantes, e constituindo um dos momentos mais marcantes da religiosidade popular madeirense.

Espaços Verdes, Quintas e Estância Turística

O Monte destacou-se, desde cedo, pelas suas quintas e casas de veraneio, consideradas das mais belas da Madeira. Muitas destas antigas residências de verão são hoje espaços de visita pública, integrados em parques e jardins de grande valor paisagístico.

A freguesia ficou conhecida como a “Sintra Madeirense”, denominação popularizada pelo jornalista João Augusto de Ornelas e amplamente referida em obras nacionais e estrangeiras. A abundante vegetação, a frescura do clima, a pureza das águas e os amplos panoramas sobre o Funchal contribuíram para afirmar o Monte como estância privilegiada.

A construção do elevador (caminho de ferro do Monte), ligando o Pombal ao Terreiro da Luta, e posteriormente a abertura de estradas para automóveis, reforçaram a acessibilidade e a atratividade turística da freguesia.

Outro símbolo incontornável é o carro de cesto, meio de transporte tradicional que, ainda hoje, liga o Monte à cidade, sendo amplamente referido na literatura e apreciado pela sua singularidade e pela perícia dos seus condutores.